Miguel Osti,
o primeiro "chauffeur" de Brotas

Hoje vamos contar um pouco da história de um ilustre brotense, Miguel Osti, o primeiro motorista de praça da cidade, naquele tempo chamado de chauffeur.

Miguel nasceu em 1900, de uma família de imigrantes oriunda da Itália, Foram seus pais Pedro Osti e Amália Surian Osti, gente simples, que soube legar aos 7 filhos honestidade e bom caráter. Casou-se com Carmelina Passaro em 08 de julho de 1926, na velha matriz de Nossa Senhora das Dores e tiveram duas filhas, Noemy e Nelly, tendo esta lhe dado quatro netos, Miguel Luiz, Pedro Henrique, Marco Antonio e Mário Cesar.

casa

Casa onde Miguel e Carmelina iniciaram sua vida de casados, situada na Av. Mário Pinotti.

esposa

Dona Carmelina, dirigindo um fordinho, em 1927.

CNH

Carteira de motorista de dona Carmelina, de 03/09/1925.

Com pouco mais de vinte anos, Miguel já era motorista profissional, tendo exercido esta profissão com muito amor e zêlo por mais de 60 anos,sem férias ou licenças, tendo sua história se fundido com a história de Brotas.

fords na Matriz

Foto de 1952, com todos os motoristas de praça de Brotas, na frente da Praça da Matriz.O Miguel é o terceiro, da direita para a esquerda.

Lembro-me bem de 1951, em que vim para Brotas pela primeira vez, e ao descer na estação ferroviária, deparei-me com meia dúzia de fordinhos reluzentes, esperando pelos poucos passageiros. Infelizmente não me recordo quem era o motorista, mas minha primeira viagem de fordinho, eu que era da Capital, foi para a Fazenda Pinheiro, no alto da serra da usina Varjão, onde morava minha prima Vera.À esta se seguiram muitas e muitas viagens, tendo muitas vezes o privilégio da companhia do Miguel, sempre muito gentil e atencioso.

Segundo seus muitos amigos, ele conduziu professores logo no início da escolas, quando mal havia estradas; conduzia onde quer que houvesse necessidade, médicos e parteiras, quando aqui não havia maternidade; padres onde nem havia capelas; fazendeiros ou colonos muitas vezes acorrentando os pneus para vencer lamaçais, outras vezes abrindo caminho com enxadas.

Sua maneira de ser granjeou-lhe sempre muita simpatia, tanto que foi matéria em muitos jornais e TVs do Brasil, como o Diário de Rio Claro, Jornal de Presidente Prudente, Jornal da Tarde, de São Paulo, Jornal da Casa Verde, Jornal Estado de São Paulo, Globo do Rio, fez parte da folhinha nacional da Ford e finalmente, participou de programas da TV Globo, como o Fantástico e o Jornal Nacional, de 08 de abril de 1982.

Em 03 de julho de 1976, comemorou com dona Carmelina, suas "Bodas de Ouro", 50 anos de vida muito feliz, com toda a sua família.

bôdas

Bodas de Ouro, em 1976, com a presença da filha, netos e muitos amigos.

Faleceu em 17 de julho de 1985, aos 85 anos de idade, e será sempre lembrado por todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Desde 1922, circulando por nossas ruas, conquistando corações com sua modéstia e perseverança, tornou-se uma figura lendária para Brotas, exemplo para todos nós e eternamente vivo em nossos corações.

Osti

Miguel Osti e seu fordinho amarelo, em 1982.

carro

Foto de 1984, com Miguel irradiando simpatia.

Em 13 de novembro de 1996, através da Lei Municipal nº 1.429/96, a Câmara Municipal de Brotas, resolveu homenagear seu cidadão modelo e deu à Estação Rodoviária de Brotas o nome de Miguel Osti.
"Em homenagem ao profissional do transporte taxista que por várias décadas prestou seu competente trabalho com seu inesquecível automóvel For 29, transportando pessoas em todas as circunstâncias e para todos os lugares da cidade e município, sempre de maneira cordial e eficiente, fazendo de sua profissão um verdadeiro sacerdócio, e assim sendo serve de exemplo para todos nós."
No dia 30 de abril de 1999, finalmente foi feita a homenagem, sendo descerrada placa comemorativa pelas autoridades do município.

Rodoviária

Estação Rodoviária Miguel Osti, em 2002.

quadro

Tela pintada por De Carvalho, em 2001, eternizando Miguel Osti e seu famoso Ford 29, placa VZ - 6613, de Brotas (SP).