ZINHO GHELLER

O Cronista de Brotas

 
Nosso homenageado do link "Personalidades" é um brotense nascido em 1939. 
Trata-se do famoso Zinho Gheller, de nome completo José Geraldo Gheller. 
Filho de João Nicolau Gheller e Amabile Poiana Gheller, casou-se com Valdete 
Emilia Pessa Gheller, de cuja união tiveram 3 filhos e 3 netos. 
 
Desde cedo exerceu várias atividades, entre elas, balconista, bancário, 
Chefe de Gabinete da Prefeitura e atualmente, como Gerente da Associação 
Comercial e Industrial de Brotas. Estas funções o colocarem sempre em 
contato com o povo de Brotas e dotado de uma privilegiada memória, tornou-se 
com o tempo um excelente cronista das coisas e da gente de Brotas. 
Assim sendo, vamos ter o prazer de colocar à disposição dos brotenses e de 
todos que amam Brotas estas reminiscências tão caras a nós que convivemos com 
a maioria de seus relatos. E mesmo para os novos é uma bela maneira de conhecer 
aquela Brotas de 1950. Brotas hoje, é um centro importante de ecoturismo, mas 
não perdeu aquele ar de cidade pequena, acolhedora, que tanto encanta seus
moradores e visitantes!

gheller

 
 
Vamos pois às nossas Reminiscências!
 
 
 
Crônica 01 – Brotas na década de 50


Alfaiates: Lázaro Parente, Dércio Domingos, Vitor Marquezin e Luíz Pandolfo.

 

Casa de Calçados: José Ferrari e José da Costa.

 

Sapateiros: José Guella (Tico), Romeu Costa, Jurandir Urbano, Luiz Massoni,           

 

 Pedro Luchini e Jeová Tellis • (Jóvas).

 

Tinturarias: Guido Marchesin e Caetano Bicaleto.

 

Papelarias: José Lucente e Olintho Nicolau Altieri.

 

Coletorias. Estadual - Mário Balestrero - Federal: Celso Guimarães.

 

Pousadas: Hotel Central,  Pensão Santa Cruz, Pensão do Avelino e Pensão da  Emília Fagnani.

 

Marceneiros: Arlindo Benassi, Camilo de Francisco, Francisco Silva (Chico Silva) Antonio Lenci.

 

Barbeiros: Joaquim Baptista, Santo David, Augusto Osti, Celeste Lourenção e Doca Cordeiro,

 

Carlos de Jesus (Carlito) e Antonio Jorge (violonista).

 

Construtores: João Pierangelli, Matheus Rocha, Antonio Sílvani, Amilcar Sílvani e Fìoravante Bortoto.

 

Choferes de Praça: Téte Tardivo. Emilio Bolano, Santo Bonganhi, Miguel Osti, Renato Silveira e Dante Felipe.

 

Médicos: Dr. Rodolpho Guimarães, Dr. Edson Tupinambá, Dr. João Barbudo e Dr. Alarico Luiz Amalfi.

 

Parteira: Ema Bicaleto.

 

Postos de gasolina: Elyseu Lourenção e Emilio Dalla Déa Filho.

 

 

 

Crônica 02 - Brotas na década de 50




Oficinas Mecânicas
: Reniéro Bressan, Pichinin, Dirceu Tardivo, Irmãos Vilta, Irmãos Osti e Villa & Signori.

 

Dentistas: Argemiro Soares de Moura,  Wladimir Bruno Carnevallì, Ignácio Vieira Negrão;

 

João Nardy Romito e Oswaldo dos Santos Cardoso, José Carlos Machado.

 

Cartórios: Arthur Chaves, Ramiro Balestrero Delbuque, Heitor Simões Castro.

 

Padarias: Alberto Bertocco, Edmundo Formigoni, Luiz Nazaro.

 

Estabelecimentos de Crédito: Banco do Vale do Paraíba,  Banco Paulista do Comércio e Caixa Econômica Estadual.

 

Lojas: Casa Zuchi, Casas Pernambucanas, Casa Perinotto, Silvio Surian, Henrique Ostí, Emidio Bussab.

 

Açougues: Tição, Ino Tessuti, Natálio Lázari, Pedrinho Santís, Suzana de Souza.

 

Farmácias: Luís Gonzaga, Sergio,Piva, Sebastião Galdino Barbosa.

 

Armazens: Cláudio Jordani, Mangilli, Lourenção & Cia, Scatolin; Bento de Mello, Ignácio Cezaroni,

 

Augusto lnocêncio de Almeida, Miguel Ladeira, Sebastião Laerte de Oliveira, EmiIio Dalla Dea, Romeu Brino;

 

Stefano Pessa, Eugênio Luiz Rossi.

 

Bares: Job Rodrigues de Mattos, Alberto Bertocco, Aldo Formigoni, Antonio Figueiredo, Álvaro Callado, Luiz Nazzaro,

 

Brizi, Thiago Tardivo, Guido Coró, Arlindo de Almeida, Suzana de Souza, José Rodrigues, Bafini,Vicentin,

 

Salvador Galhardo, Cassununga.

 

 

 

Crônica 03 - Brotas na década de 50




Professores do Grupo Escolar
Dona Francisca Ribeiro dos Reis: Otávio Ramella, Diva Lopes de Castro,

Maura Lopes de Castro, Miriam Consuelo Lopes de Castro (Celita), Eunice Pinheiro Piva, Célia Piva Campana,

Maria de Lourdes Gamba, Isabel Soares de Moura; Edna Soares de Moura, Mariinha Florim, Maria Simões de Castro,

José Paulo Pinto da Silva e Luiz Gonzaga Batista de Olivei­ra (Luiz do Mlgué).

 

Serventes: Waldomiro Lopes de Castro, José Guella (Tico), Joana Maria Batista.

Diretor: Israel da Silveira Moraes.

 

Dentista: Wlademir Bruno Carnevalli.

 

Funcionários do Paço Municipal: Egydio Surian, Laura Braidotti, Paulo Guerreiro, Ernesto Gheller, Paulo Simões;

Maria Emília Belotto, Oswaldo Desiderá.

 

Prefeito Municipal: Dr. Américo Piva.

 

Vereadores: Américo Borelli, Dr. José Perricelli, Luiz Bagnariol, José Carlos Machado, Wilson Hélio de

Alquberque Pinheiro, Ramiro Delbuque Balestrero, Carios Brino Filho, Dr. Lingard Muller Paiva, Pedro de Oliveira

Pinto, Mário Balestrero e Eduardo Alexandre Balestrero.


Políticos influentes em Brotas
: Dr. Rodolpho Guimarães, Paulo Delboux Guimarães, Lourival Jaubert da

Silva Braga, José Carlos Machado, Dr. José Perricelli, Dr. Américo Piva, Pedro de Oliveira Pinto, Dr. Lingard

Muller Paiva, Péricles de Albuquerque Pinheiro, Américo Borelli e Luiz Bagnariol.

 

Políticos influentes no Brasil: Getúlio Dornelles Vargas, Adhemar Pereira de Barros, Brigadeiro Eduardo Gomes,

Hugo Borghi, Plinìo Salgado, Lucas Nogueira Garcez.

 

 

 

Crônica 04 - Brotas na década de 50

 

 

 

Jogadores do Clube Atlético Brotense: Caio, Enéas e Zezinho, Paulko, Licurgo e Ramiro, Toninho Greco; Amilton, Zuchi, Jayr e Tico.

 

Equipe da Rádio Brotense: José Lucente, Wladimir Bruno Carnevalli, Moacir Monteiro (Chile), Antonio Rafael Lenci

(Nim Lenci), Wilfrido José de Albuquerque Veronese (Dr. Vidinho) - que transmi­tiu um jogo do Maracanã, no Rio de Janeiro.

 

Cine São José: Proprietários, Dr. José Perricelli e Péricles de Albuquerque Pinheiro;

 

Gerente: Irineu Dalla Déa

Funcionários: Thiago, Didi Carteiro, Laercio da Silva Braga, Taréco e Jipão.

 

Companhia Telefônica: Gerente, Ruth Muller Montefusco.

 

Tele­fonistas: Dora Bolano Cecilia Formigoni, Lane Perazolli e Maria Luiza Barbosa Lima.

 

Agência do Correio: Gerente, Augusta Soares de Almeida.

Car­teiros, José Antonio Batista, José Gabriel dos Santos, Ramiro Guin­daste e Turmio Surian. Estafeta: Amério Cerochi.


Casas Pernambucanas: Gerente, Ernesto Chizzotti.

Funcionári­os, Egydio Luiz Paschoalotti, Mario Bolano, Osmani Cristanelli, Lolito Braidotti, Zinho Gheller,

Moacir Felipe, José Adorno, Joel Rocha e Zanon.

 

Posto de Saúde: Médico, Dr. Edson Tupinambá.

Funcionários, Luiz Bicaleto (tino); Raul Cerqueira Leite, Henrique Simões de Castro, Ivone Brino Scatolin e Anunciata Lenci.


Time de Volei da Congregação Mariana:
José Braga, Geraldo Brizi (Peru), Joel Rocha, Ivan Marchezin,

Batista Negrão, Norival Parente, Sebastião Trevisan e Durval de Mello.




Crônica 05 -
Brotas na década de 50

 

 

 

Igreja Nossa Senhora das Dores: Vigário: Pe. Manoel Garcia.

 

Coroinhas: Dirceu Adorno e Téco.

Auxiliares: Miguel Greco, Tico Desiderá, Dna. Mira Desiderá.

Verônicas: Olga Ferreira e Diva Desiderá.

 

Serviços de Ônibus: Bom Jardim/Usina Varjão/Brotas - Sebastião

Dourado/Brotas - José Alves - Brotas/Fazenda Rasteira/S.Carlos - Antonio Polaquini.

Orquestra para bailes: Sebastião Urbano, João Silveira,. Ernesto Galhardo, Valdomiro Galhardo, Antonio Sampaio, Triça,

José Rodrigues (Zequinha Sapateiro), Tinho Marinelli.

 

Pessoas Populares mais conhecidas: Maceió, Tirintino, Mariona, Fo, Tuta, Tomate, Tonhào, Nhana Couve, Nego da Sinhá,

Perácio, Víto, Nenê Ceguinho, Nego do Braga.

 

Grandes Fazendas: Santa Eliza, Santo Antonio, São Sebastião, Santa Thereza, São Franscisco, Santo Angelo, Chapadão,

Monte Alto, Pinheiros, São Pedro, Monte Cristo; Lagoa, Roseira, Rasteira, Bom Ret­iro, Agua Branca.

 

Se algum nome não for citado é por mero esquecimento.

 

 

 

Crônica 06 - Brotas na década de 50

 

 

 

Grandes companheiros que se reuniam no bar do Callado, para tomar algumas Brahmas geladinhas: Pichinim, João Braidotti,

Dito Preto, Lau Figueiredo, Dato Serafim...

 

Pessoas idosas que frequentavam o bar Excelsior, do Luiz Nazzaro: Carmo Nicolella, Luiz Gheller, João Zarlenga, Ettore Pinotti;

Velho Massoni, Bépe Bicaletto, Fioravante Marin, Delfim Cardoso, Bras Monsitiéri, Augusto lnocêncio de Almeida, Tunin Villa,

Zezínho Osti, Hilário Monteiro, Joaquim Marques, Cassununga...

 

Melhores jogadores de Snooker da época: Ângelo Flávio Dalla Déa, Oswaldo de Barros, Benedito Mussolìni Balestrero,

Santo Trombini, Roberto Bertocco, Sertão, Roberto Surian...

 

Integrantes da Banda Marcial de Brotas: Mário Villa, Ennos Nolla, Emygdio de Oliveira; Pongeluppi, Antonio Feltrìm, Manoel Ferreira,

Sebastião Gheller, Valdomiro e Emesto Galhardo, Caetano Bicaletto Joaquim Marques, Roberto Surian, Mateus da Rocha Ferreira,

Jessé de Jesus, Vanderley Marfins.

 

Nota: Recebemos uma carta anônima cumprimentando pelo tra­balho e tecendo algumas críticas. Agradecemos a atenção,

mas preferimos que os autores se identifiquem, para que possamos estabelecer urna parceria com o intuito de melhorar esta coluna.

 

 

 

Crônica 07 - Brotas na década de 50

 

 

 

Clube Social e Recreativo: Grêmio Literário e Recre­ativo Brotense e Balneário do Rio Jacaré

 

Jovens da época: Selma Furtado, Bete Surian, Ana Maria Surian, Tita Zuchi, Dora Osti, Noriza Veroneze,

Nide Surian; Maristela Perricelli, Simone Piva, Nide Teixeira, Zezé Lourenção...

 

Clubes de Futebol da região: Clube Atlético Brotense (CAB), Mocoembu, Barra Bonita,Torrinha, Dourado,

ltapui, Pederneiras, Macatuba, Mineiros do Tietê, Bocaina.

 

Destaques do Campeonato Amador de Futebol: CAB­-Amilton, Bocaina-Coqueiral; Barra Bonita-Renatìnho,

Torrinha-Armando Boni, Mocoembu (Dois Córregos)- ­Estévinho, Botafogo(Dois Córregos)-Toninho Zago, ltapui­ – Calixto.

 

Campeonato Municipal de Futebol: Aspirante do CAB, Municipal, São José, Usina Varjão, Santa Eliza,

Pinhei­ros Patrimônio, Santa Eulália.

 

Seriados exibidos no Cine São José: Mulher Tigre, A Marca do Zorro, O Chicote do Zorro, A Máscara de Fer­ro,

A Deusa de Jóba, Império Submarino, O Escorpião, Guardas da Costa Alerta, Super Homem, Congo Bill.

 

Zelador do Cemitério: Miguel da Costa Ladeira.

 

Limpeza Pública: Luiz de Almeida, José Pio Antonio, Sebastião Rodrigues (Tião da Calçadinha).

 

 

 

Crônica 08 - Brotas na década de 50

 

 

 

Filmes famosos exibidos no Cíne São José:  "0 Palácio encantado da cidade": Sansão e Dalila -Por quem os sinos dobram, Matar ou Morrer, 0 maior espetáculo da Terra, Trapézio, Lili, Ne­nhuma mulher vale tanto, A última carroça,-O Rei dos Reis, El Cid, Sementes da violência, Ao mestre com carinho, À um passo da eternidade, Assim caminha a humanidade, Os brutos também amam, Vera Cruz, Quo Vadís, Suplício de uma saudade, Crepús­culo dos Deuses, Tambores distantes, No tempo das diligênci­as, Música e lágrimas, Melodia imortal, Janela Indiscreta, Psico­se, Os pássaros, La violetera, Viva Zapata, A grande estrada azul, 0 sol por testemunha, Álamo, Anjos da cara suja, A montanha dos sete abutres, E o vento levou, Depois do vendaval, 0 velho e o mar, Duelo de titãs, Ulisses, Davi e Betsabá, Os 10 Mandamen­tos, 0 rei e eu, No caminho dos elefantes, Selva nua, As minas do rei Salomão, Sangue e areia, Minta vontade é lei, Mogambo, As­sim são os fortes, Beau Gest, 0 cavaleiro da Távola Redonda, Ricardo Coração de Leão, 0 corcunda de Notre Dame...

 

Circo Irmãos Moreno, que permaneceu em nossa cidade por várias semanas e apresentou as seguintes peças teatrais, dra­máticas e comédias, E o céu uniu dois corações, A mulher que veio de Londres, Canção de Bernardete, Mestiça, Escrava lzaura, 0 direito de nascer, 0 ébrio. Dupla de palhaços: Zé da Maria Com­prida e Pedegoza.

 

Cartaz ao lado do guichê da bilheteria da Cia. Paulista de Estrada de Ferro: "Aquele que não plantou uma árvore antes de morrer, viveu inutilmente".

 

Cartaz dentro do Bar do Delfim Cardoso: “Fiado, 5 letras que choram",

 

Funcionários da Cia. Paulista de Estrada de Ferro. Chefe da Es­tação: Vinícius Balestrero, Corino Balestrero Neto e Otavio Joveta,

Funcionário: Baltazar Rodrigues;

Telégrafo: José Palpite e Negrão de Lima (Geovaní);

Chefe do Almoxarifado: Augusto Batista (Gusto);

Estafeta: Américo Cerochí,

 

Proprietários de pequenos caminhões que faziam fretes para a estação e vice-versa, Delfim Cardoso e José de Abreu.

 

 

 

Crônica 09 - Brotas na década de 50

 

 

 

Futebol de campo formado por jovens da época:

Esporte Clube Jacarezinho:Atletas- Wilson Pinicolino, Leo Nicolela, Oswaldo Cardoso, Oswaldo de Barros, Néio do Quilin, Nelson lenco (Sebo), Jayr Ferrari, Mussolino, Anísio Padeiro, Hélio Sanon, José Dias Ferraz, entre outros.

 

Times de moleques do Campinho no Largo da Cadeia, atual prédio do Forum: Técnicos, Sinésio Guimarães, Ramiro Guin­daste, Irineu Dalla Déa, Pedro Luchini, entre outros. Atletas: Quinzinho de Carvalho, Antonio Carlos' Carvalho (Cabeludo), Venâncio, Walmir Scatolìn, Roberto Guindaste, Zico Piedade, Giel Saulo Batista, Mauro e José Henrique Osti, Zinho Gheller, Sergio Pierângelli, Antonio Euclídes Teixeira, Marlos Lourenção, Tinho Marinelli, Val e Luiz Braidotti, João Arthur Lasco, Firinfa, Curimbatá, Idilio, José de Barros. Zucão, Macìste Gomes, Raul Batista, Helio Marrega, Vicente Paulo Perricelli, Zé Lameu. Ademar Cordeiro, João Maravilha Polaquini, Valberto Scatolin, Flávio Osti (Traçaia) Simãozinho Monteiro, Abreu (Coelho) Cussy Simões, Vermelho, Flávio Figueiredo, Edson Zarlenga, Rudemar da Rocha Ferreira, Ita Rocha, e outros que me falha a memória. Alguns, infelizmente, já não mais se encontram entre nós. Muitos mudaram-se para outras cidade e nunca mais retornaram, nem mesmo para uma rápida visita, -e outros partiram desta vida deixando-nos muitas recordações e saudades.

 

Jogadores do CAB, que deixamos de mencionar e que no ano de 1950 também defenderam, com muita garra e dedicação, a camisa do glorioso CAB: Pedro Toretti, Line Bagnariol, Dr. Pierãngeili, Walter Scatolin, Walter Garcia, Duval de Mello, Hugo de Mello, João e Luis Massoni,`Palimercio Camargo, Alvimar Pessa, Haroldo Batista, entre outros.

 

 

 

Crônica 10 - Brotas na década de 50

 

 

 

Pescadores amadores da época: Eneas Gabriel dos Santos, José Gabriel dos Santos (Zë Carteiro), Oscar Martins de Oliveira (Oscarzinho da Força e Luz), Paulo de Campos Simões (Paulão), Turmino Surian, Antonio Surian (Toni), José Antonio Batista (Zé Carteiro), Roberto Surian, Jurandir Gabriet dos Santos (Didi Car­teiro), Luiz Gonzaga Batista de Oliveira (Luiz do Migué), Otávio Joveta, Jim do Vale, João Marques, Sergio Albertinazzi (Caboclo).

 

Caçadores de veados e capivaras, na época em que era permí­tido: Manéco Lourenço, Totó Braga, Alvimar Pessa, Nelson de Oliveira (Nelsão), Américo Carvalho, Valdemar de Souza (Valdemarzão), Irineu Marson, Luiz Datastra e Antonio Dalastra,(Ir­mãos Coragem).

 

Vendedores ambulantes: Maria dos Santos Gallo (vendedora de sardinhas), Laura de Almeida (vendedora de verduras), Carlucho (vendedor de peras), Cardosinho (vendedor de bananas); Carna­val (vendedorde verduras).

 

Cartazes afixados no Posto de Saúde de Brotas, à av. Quintino Bocaiuva, defronte ao armazén de café da família Bagnariol: Um menino fumando: "Nunca fume pequeno, que o fumo contém veneno"; Um menino jogando bola na rua: "Gool, gritou o Luiz e não morreu por um triz"; Um menino nó vaso sanitário: "Após a privada, mão bem lavada"; Um adulto bebendo: "Cada gole de bebida tira um minuto de vida".

 

Alguns filmes brasileiros de sucesso exibidos no Cine São José: Carnaval de Fogo, Carnaval na Atlântica, Nem Sansão nem Dalila, O Sputinik, Tico-tico no Fubá, O Pagador de Promessas, O Cangaceiro, Matar ou Correr, do Periquito,O Vendedor de Linguiças, O Corinthiano, O Noivo da Girafa, Nadando em Dinhei­ro, Jéca Tatu.

 

 

 

Crônica 11 - Brotas na década de 50

 

 

 

Estabelecimentos bancários: Inauguração do Banco do Vale do Paraíba em Brotas no ano de 1950. Personagens presentes na inauguração: Mario Balestrero, Luiz Bagnariol, Line Bagnariol, Jurandir Gabriel dos Santos, Simone Piva, Silvio Arnaldo Piva, Yoianda Braga Martinelli, Jair Silveira, Pedro de Mello e outras.

 

Banco Vale do Paraíba: Gerente, João Lopes - Funcionários, Jayr Silveira, Pedro de Mello, Pedro Nelson Braga, Zelìndo Sacardo, Wilson Antonio Tessutti (Pinicolino).

 

Banco Paulista do Comércio: Gerente, Jarbas Santos Barreto - Funcionários, Luiz Silveira Almeida (Izo), Sálvio de Almeida, Anto­nio Waldomiro Lopes de Castro (Turcão), Oswaldo Gabriel dos Santos, José Wilson Braga (Braguinha).

 

Caixa Económica do Estado de São Paulo: Gerente, José Teixeira de Almeida (Major Zico) - Funcionários, Ariovaldo de Oliveira, Guilherne Silveira, Eneas Gabriel dos Santos.

 

Zelador do Campo do CAB e do material esportivo: Agostinho Camílio.

 

Zelador do Jardim Público: Jeremias.

Alguns casais da nossa sociedade, freqüentadores do Cine São José aos domingos: Joaquim Baptista/Ida Surian; Luiz Silveira Almeìda/Neide Dalla Déa; Pedro Paulo de Oliveira Pinto (Papíto)/Leda Lourenção; Flamínio Campos Barreto/Alexandrina Balestrero.

Pessoas populares da época, que deixamos de mencionar: Zé Lameu, Tomate, Gatão, Paraqueda, Patrãozinho, Dito Cabrito, Tidimeu, Faé, Jeremias, Joãozìnho da Joaquìnona, João Bode, Estiquimbo, Pedro Besteira; Zé da Odila, Nêgo da Sinhá, Perácio, Vito, etc.

Queremos agradecer a todas as manifestações de carinho recebidas pelos leitores desta coluna. Fazermos este trabalho a título de resgatar feitos e pessoas que enriqueceram o cotidia­no de nossa comunidade, ao longo do tempo.

São lembranças gratifïcantes para nós e para os que possuem  sensibidade para se ernocíonar Conheço, in­clusive, leitor que recorta os artigos e os carrega na carteira para comentar com seus amigos.

 

 

 

Crônica 12 - Brotas na década de 50

 

 

 

Carroças de aluguel: Anibal Cerrutti (Aniba Charuto); Francisco Costa (Xico Costa); Horácio Gheller (Tato Gheller); José Pereira (Zé Pereira): Nestor Cardoso (Nestor); Antonio Nolla (Toninho Nolla).

 

Grandes bailes promovidos pelo Grêmio Literário e Recreativo Brotense: Sylvio Mazuca; Ruy Rei; Leopoldo e Nelson de Tupã; Sul América, de Jaboticabal; Contineltal de Jau; Orlando Ferrer (Jundiai).

 

Pessoas famosas que passaram por Brotas: Mazzaropi, Jorge Ben, Erasmo Carlos, Martinha, Vanderléia, Jair Rodrigues, Gregório Barrios, Caubi Peixoto, Mário Pinotti-Ministro da Saúde, Mario Zan, Cascatinfa e Inhana, Adhemar de Barros.

 

Assíduos e fanáticos torcedores do CAB na época de ouro do futebol brotense (1950 Campeão do Ano Santo): Miguel Grecco, Romeu dos Santos, Manoel Ramos, Olintho Nicolau Altieri; Paulistino dos Santos, Vítor Marquezin, Antonio Perinotto, Reniero Bressan, Claudio Jordani, Henrique Jordani. João Gallo, Atílio Surian, Sylvio Lourenção, Egydio Surian, Cesar Zuchì, João Pierângelli, Emilio Dalla Dea Filho, Elyseu Lourenção, Arduino Capra, Lauro Braidotti, Pichinin, Dito Preto, Zequinha do Lau, Joa­quim Marques, Luiz Desiderá, Paulo de Camargo (Paulo do Tico), Silvério Tessutti (Silvério do Ino), José Nolla, Antonio João Scatolin, Fernando Guerreiro, Paulo Guerreiro, Bento de Mello, Péricles Pinheiro Júnior.

 

Marcas de cigarros de nossa coleção à época de 50: Oceania, Rodeio, Marabá, Fulgor, Bahia, Peterlondrino, Nelson, Belmont; Beverly, Rialto, Mexicano, Baliza, Finesse, Astorga, LincoIn, Caporal Lavado, Yolanda, Mistura Fina, Oxford, Picadilli, Lukstrike, Conti­nental, Saratoga, Elmo, Kent, Aspasia, Hollywood.

 

 

 

Crônica 13 - Brotas na década de 50




Seresteiros da época: Ramiro Guindaste, Ignacio Vieira Negrão, Norival Parente, Geraldo Batista, Delfim de Camillo, Modesto Surian, Antonio Pinheiro Sampaio Florim, Tonhão, Nego da Sinhá, Anísio Padeiro, Rodney Alberto Bertocco.

 

Grandes músicos amadores e profissionais: Sebastião Nólfio e Luiz Urbano, Waldomiro e Ernesto Galhardo, Ernesto Marinelli Filho, Nivaldo Couto, Edson Cerqueira Leite, João Silveira, Olegario Napoleão, Fernando de Campos Guerra, Wagner de Oliveira, Ramiro Guindaste, Ignacio Vieira Negrão, Norival Parente, Geral­do Batista, Delfim de Camillo, Modesto Surian, Antonio Pinheiro Sampaio Florim, Tonhão, Nego da Sinhá, Agostinho dos Santos, Prospera Esperança, Wanderley Martins, Matheus da Rocha Ferreira, Manoel Ferreira dos Santos, Emygdio de Oliveira, Joa­quim Marques, Jessé de Jesus, Mario Villa, Pongeluppi, Anísio Padeiro, Beatriz Cerqueira Leite e Vera Ligia Cerqueira Leite.

 

Grandes nomes de nadadores por ocasião da existência do Balneário do Rio Jacaré: Norival Parente, Geraldo  Batista e Hugo de Oliveira Piva.

 

 

 

Crônica 14 - Brotas na década de 50




Nos meus registros na coluna Reminiscências, deixei de men­cionar uma pessoa incrível. Brotense da Velha Guarda, muito que­rido e estimado por todos; trabalhava no Bar e Padaria Excelsior, do saudoso Luiz Nazzaro, que posteriormente adquiriu o estabeleci­mento e juntamente com sua esposa Dona Lourdes, (que cozinha­va maravilhosamente bem) continuaram com o Bar por muito tem­po.

Atendia a todos com muito carinho e atenção, principalmente os mais humildes. Sempre brincalhão, usava as frases "U Loco Negão", "Pra Lá do Muro", "To Fora", mas muito educado. Quando uma pessoa se despedia dele à noite, sempre dizia: "bom repouso maestro, durma com DEUS".

Ainda criança estava eu no seu bar, quando presenciei esta: Estava passando nos céus de Brotas, um avião (coisa rara naque­la época), quando Hilário Monteiro, um cidadão negro lhe disse com ar de desdém "Olha pro céu e veja que minha família está chegando em Brotas" Ele, ironicamente, respondeu: "É verdade!. E seus irmãozinhos estão acompanhando". Nada mais era do que um bando de urubus que voavam acompanhando o avião.

Era goleiro do Clube Atlético Brotense, que na época era cha­mado de "Gorquipa". Alto, forte, mãos enormes era espetacular! Dizi­am os mais antigos que certa ocasião, um representante do Vasco da Gama do Rio de Janeiro, vendo-o jogar em Marília, tentou levá-lo para São Januário, mas seu coração pendeu para sua querida Brotas e resolveu continuar aqui. Não cheguei a conhece-lo como jogador de futebol, mas diziam maravilhas a seu respeito.

Com o Matrimonio com Dona Lourdes, tiveram os filhos, Fran­cisco, Antonio Paulo "Belo", "Melado", "Vermelho", e uma filha cujo nome me esqueci. (Mencionei alguns apelidos por não me lembrar dos nomes).

Bom cidadão, honesto, cumpridor de suas obrigações, bom pai, bom marido, era estimado por todos.

Esta pessoa era o saudoso JOSÉ ADORNO DOS SANTOS, cari­nhosamente conhecido por Cassununga.

Num final de semana, Eu e Zico Piedade (já não se encontra entre nós) Darci da silva - conhecido como Darci da Farmácia, an­tigo funcionário do Sr. Romeu Brino - e um Guarda Noturno, nosso amigo conhecido como Geraldo, saboreávamos uma suculenta bisteca de vaca e de sobremesa um saboroso pudim de queijo, que só Dona Lourdes sabia fazer.

Quando as crianças saiam do Grupo Escolar (hoje Escola Francisca) e passavam em frente ao seu bar, cada criança ganhava uma bala de presente com a seguinte orientação: "Vá direto para casa e não deixe de estudar, dizia ele com voz amável.

 

 

 

Crônica 15 - Brotas na década de 50




Toda vez que posso vou ao cemitério local, onde fico mais de uma hora orando para as almas, pedindo a Deus que lhes dê o descanso eterno na Mansão dos Justos. É quando sinto uma tranqüilidade e uma paz de espí­rito indescritível. Andando pelo Campo Santo vou lendo nomes de brotenses e não brotenses, que, na sua maioria, cheguei a conhecer e, com muitos, conviver o que me traz muitas lembranças e saudades.

 

Numa dessas visitas, deparei com um jazigo em cuja lápide está escrito: "Paz ao filho, querido, vítima da injustiça e ingratidão". Conta a História que esse caso aconteceu aqui em Brotas com um moço de família tradicional, cujo nome prefiro não mencionar por uma questão de respeito. Esta História eu conheço desde criança, como muitos brotenses da época também tiveram conhecimento. Trata-se de um moço que teria se aproveitado de uma moça e se recusou a desposá-­la - um ato imperdoável para a época. O pai da jovem, para lavar a honra de sua filha, se dirigiu à uma barbearia onde a vítima estava sendo barbeado, ordenou que o barbeiro se afastasse e, de revólver em pu­nho, atirou matando o moço sem lhe dar chance de defesa. Isso ocor­reu onde hoje se localiza a farmácia de manipulação Kalantus. Na épo­ca uns diziam que o moço era inocente, outros culpado. Na verdade, nada ficou provado. Nos dias de hoje, se fossem punidos todos os moços que "aprontam" com suas namoradas e não assumem o casa­mento, haja barbearia.

 

Uma notícia que me deixou muito surpreso e triste, foi o falecimento do meu amigo Antonio Luiz Tardivo, carinhosamente conhecido por "Zé Bolinha", casado com com a Sra. Dirce Ramos, de famílias tradicionais de Brotas. Ultimamamente residia na cidade de Rio Claro. Minha maior surpresa é só ter sabido do seu passamento muito tempo depois, já que moro e trabalho no centro da cidade. Luiz Antonio era uma pessoa incrível, bom cidadão, brincalhão, sempre presente aos acontecimentos de nos­sa cidade. Nós éramos muito amigos e estávamos sempre juntos. Da nossa turma, também fazia parte o Vadinho, do Banco Paulista e o Gui­Iherrrie Silvani, grandes companheiros que me deixaram muitas sauda­des. O Zébola, como também era conhecido, montou um time de Futebol para disputar o Campeonato Municipal, formado por mim; ele; Romeu Lourençaõ; Zucão; Valdemarzão; Joãozinho da Madona; Tim Teixeira, hoje residindo em São Paulo, grande jornalista Esportivo; e o Maninho, do Supermercado, entre outros. Nosso primeiro jogo foi contra o CAB, que naquele ano não disputou o Campeonato Amador e para manter a forma, para nossa desgraça, disputou o Municipal. O resultado do jogo foi 10 x 0. Adivinhe para quem! Covardia... O time era formado pelos jogadores Zezinho, Licurgo, Hamilton, Zuchi, entre outras feras da épo­ca. Num dos gols, nosso goleiro, que era o amigo de quem falo, Zé Bolinha, me disse: “graças a Deus a bola não bateu em mim".

 

Outra lembrança que tenho é das reuniões que fazíamos com os com panheiros Hugo e Durval de Mello, Marcos Bertocco, Avelininho, Gilberto e Carlos Surian Araujo, Haroldo, Dirceu Tardivo, entre outros, no bar do Waldomiro Bertocco. Betocão, como era carinhosamente chamado, era grande doceiro, sempre impecavelmente trajado, trazendo ao pescoço o seu lenço de seda, cravo na lapela e sua inseparável bengala. Pessoa muito divertida e estimada por todos os que o conheciam, que nos deixou muitas e boas lembranças.

Numa data que não me recordo, saíamos do cemitério, o saudoso Enéas - jogador do CAB - e eu, sendo os últimos a deixar a necrópole, já escurecendo, olhando para aquela infinidade de jazigos, meu amigo me disse: - "Aqui não tem distinção entre pobre, rico, cor, religião, posi­ção social, orgulho. Aqui é FIM DE PAPO!

 

 

 

Crônica 16 - Os banqueiros ganham juros e os bancários, úlceras.




Já se foi o tempo em que o cliente chegava ao banco e o ge­rente ou o funcionário ia ao seu encontro para cumprimentá-lo, perguntar pela família, saber do seu time de futebol favorito, ofere­cer-lhe um cafezinho, uma cadei­ra para se sentar, antes de atendê-­lo nas suas necessidades. O empresário, naquela época, tinha prazer em ir ao banco tratar de seus negócios, enquanto que hoje, ele contrata office-boys para fazer tal tarefa. O que antes era prazer, agora virou sacrifício.

 

Hoje, com o avanço da tecnologia, as coisas mudaram e muito. Já não se pode fazer mais isto porque o tempo não permite e a relação entre cliente e o gerente passou a ser estri­tamente formal. Isso faz com que o cliente se vire sozinho, principalmente os aposentados que têm que enfrentar longas filas para receber seu "vultuoso" sa­lário estando, na sua maioria, com a saúde abalada, enquan­to que o banco não está nem aí.

 

Quanto mais aumentam os cli­entes, mais os bancos diminu­em o quadro de pessoal. Afinal, porque aumentariam, se os correntistas têm que se virar sozinhos?

O banqueiro só quer saber de cobrar taxas e mais taxas, na ganância de obter lucros cada vez maiores, enquanto que o pessoal que se lasque.

 

Quero deixar bem claro que os funcionários não têm culpa alguma pelo que acontece hoje. São todos muito competentes, simpáticos, educados e aten­ciosos e sofrem grandes pressões com metas a cumprir, aumento de serviços, estatísticas que não acabam mais, além de ouvir bobagens de clientes insa­tisfeitos. Digo isto porque fui ban­cário por longos anos em Brotas e sei o quanto é difícil agradar a todos. Ouvi de um inspetor, em certa ocasião, a seguinte frase: A única diferença que existe entre um gerente de banco e uma prostitura é o sexo.

 

A maioria dos estabeleci­mentos de crédito de Brotas possui apenas um caixa para atender e quem sofre com isto é a população, pois tem gente que aproveita o horário do almo­ço para ir ao banco, perde o seu horário de descanso e chega atrasado ao trabalho.

 

A população de Brotas au­mentou consideravelmente, por ser consi­derada uma das principais cidades turísticas da região. Possui o maior índi­ce do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante. De acordo com dados do IBGE (2002), a renda per capita na cidade de Brotas era de R$19.191,00. Brotas atu­almente, de acordo com o últi­mo censo realizado (2005), está com uma população de 21.695 pessoas, tendo um aumento de 14,87%, sobre o censo do ano de 2000. Das 44 cidades da nossa região e a da alta paulista, ficamos em segundo lugar em crescimento, o que nos deixa orgulhosos.

 

Abraços a todos e até de re­pente.

 

 

 

Crônica 17 - Nosso querido Correio de outros tempos

 

 

 

Me recordo muito bem da minha época de criança, quan­do o Correio em nossa cidade servia apenas para receber, en­tregar e postar correspondên­cia que, aliás, é a função princi­pal da empresa.

Naquela época eu era fun­cionário do Banco Vale do Paraíba, que mais tarde passou para Banco Novo Mundo e que posteriormente se transformou em Banco Econômico. Uma de minhas funções na Empresa era buscar correspondência no Correio, antes, Empresa Brasi­leira de Correios e Telégrafos, e aproveitava para trazer tam­bém a do Dr. Juiz de Direito da Comarca, Dr. Luiz Francisco Giglio. Trazia também ao do saudoso Irineu Dalla Déa que, em troca desse modesto servi­ço, ele que era gerente do Cine São José, me deixava entrar nas sessões de matinê sem pagar ingresso.

 

As correspondências e os jornais vinham da Capital pe­los vagões da Cia. Paulista de Estradas de Ferro e eram trazidos pelo estafeta, Américo Ceróchi, até a agência do Cor­reio, que ficava no final da Aveni­da  Um, hoje Mário Pinotti, gerenciado pela senhora Maria Augusta Soares, sogra do Dr. Edson Tupinambá.

Lá esperavam os competen­tes encarregados pela distribui­ção: José Antonio Batista, pai do nosso amigo escriba deste se­manário; José Gabriel dos San­tos e Ramiro Guindaste, poste­riormente o sr. Turmino Surian, Luiz Gonzaga Batista. Inter­namente, trabalhavam Olga Ferreira e Diva de Castro Marrega.

 

Aqueles que tinham pressa em ler as últimas notícias, se dirigiam até a agência do Cor­reio e apanhavam suas corres­pondências antes da entrega. Lembro-me bem do Sr. Arthur Simões, já com idade avança­da mas muito lúcido, culto e educado; do Sr. Francisco Gon­çalves, proprietário de uma casa lotérica, sempre muito bem tra­jado com sua tradiconal gravata borboleta (um luxo) e também do sr. Augusto Inocêncio de Almeida, um dos antigos mora­dores desta cidade.

Pois é, na edição passada citamos e criticamos o atendi­mento bancário com suas inter­mináveis filas. Nesta edição ci­tamos o Correio, cuja situação se equipara a dos bancos, tam­bém com grande fila. O que di­ferencia são as senhas distri­buídàs, como são adotadas nas agência do INSS, na coleta de sangue, nos exames de labora­tórios, etc.

 

O que fica difícil de enten­der é que, ao invés de facilita­rem para os usuários, acabam por complicar tudo. Não seria mais fácil abrir um caixa so­mente para pagamentos e re­cebimentos diversos e outros exclusivamente para postagem de correspondênci­as que, aliás, é a função pri­meira do correio?

 

Quando comentamos sobre os velhos tempos, existem pes­soas que nos chamam de qua­drados ou saudosistas e até de ultrapassados ou que ficamos parados no espaço. No entanto, eu não penso assim por que na­quele tempo cada empresa tinha o seu atendimento próprio, por exemplo: O correio recebia e en­viava correspondências; a Cia. Paulista de Força e Luz só trata­va de energia elétrica; a Cia Te­lefônica recebia suas contas e só tratava dos assuntos relacio­nados à ela. Dessa forma tudo era mais fácil e sem complica­ções. Hoje em dia, para postar uma simples carta no correio, o cidadão perde de 40 a'60 minu­tos na espera da vez. Infelizmen­te a situação do momento é esta e o povão que chore.

 

No entanto, a modernidade nos deixa outra alternativa que é o Correio Eletrònico (E-Mail) atra­vés da Intemet. Quem sabe num futuro próximo a figura do Correio, que virou banco, acabe desapa­recendo ou voltando às suas fun­ções para as quais foi criado.

Um abraço e até a próxima...

 

 

 

Crônica 18 - Fatos pitorescos da década de 50 e 60




Os que não sabem, agora ficarão sabendo e os que já sabiam, vão relembrar. Na dé­cada de 50/60 funcionava, em Brotas, um escritório da Cia. Paulista de Força e Luz, onde os consumidores pagavam suas contas e tiravam todos os tipos de informação e soli­citavam serviços. Esse escri­tório ficava um pouco abaixo da Farmácia da Nadir, onde hoje é o consultório do Dr. Sidimar. Gerenciava o Escritó­rio, o Sr. Pedro Nery Cruz, ho­mem severo, porém muito ho­nesto e cumpridor de suas obrigações.Quando lhe era solicitada alguma intervenção, imediatamente enviava um dos seus funcionários para o local para averiguação, não importando a hora nem se era feriado. Lembro-me muito bem do Sr. Pedro, que usava um terno de brim claro. Acom­panhava a sua vestimenta, um relógio no bolsinho da calça cuja corrente era presa na la­pela do paletó. Eu estava pre­sente, quando um cidadão lhe perguntou a hora e ele, pron­tamente, tirou o relógio do bol­so e respondeu: Um quarto para as doze horas. Também fazia parte do quadro de funci­onários, o Sr. Oscar Martins de Oliveira, muito zeloso e aten­cioso para com todos os que se dirigiam ao Escritório. Pos­teriormente veio de Jaú, um outro funcionário que iria subs­tituir o Sr. Pedro, na gerência do Escritório. Esse cidadão veio e conquistou a todos na cidade, dada a sua maneira amiga e sincera para com to­dos. Era ele o jovem Numa Bernine Júnior, casado com a Sra. Rose. Eficientíssimo fun­cionário, embora muito brin­calhão, piadista e palmeirense de carteirinha. Vi­veu um Brotas por um tempo, vindo a falecer prematuramen­te, vitimado por uma doença incurável.

 

Outro personagem que  merece destaque é o Capitão Arthur Chaves. Ele era dono de um Cartório ao lado do Grê­mio Literário e Recreativo Brotense - hoje Centro Cultu­ral -, que tinha um ajudante que atendia pelo nome de Candinho. Seo Arthur, já com idade avançada, era uma pes­soa muito educada e de con­versa agradável, que não per­dia a oportunidade de dar bons conselhos, principal­mente à juventude, pedindo empenho nos estudos e seri­edade no trabalho e para não se envolverem em banalida­des para não se arrependerem mais tarde. Era um homem muito vaidoso, que se vestia muito bem, sempre de terno, gravata e colete, carregando o seu guarda-chuvas com seu nome gravado no cabo. Co­menta-se que, naquele tempo, o Seo Arthur Chaves ficava de­bruçado na janela conversan­do com todos. os que passa­vam, impecavelmente vestido com camisa social e gravata, mas sem calça, ficando nu da cintura para baixo. Como nin­guém via, não se sabe se isso é verídico ou não.

 

Recordo-me também da Coletoria Federal, que era ins­talada na casa do coletor, em frente à residência do Dr. Ed­son Tupinambá. Na época o coletor era o Sr. Celso Guima­rães, de tradicional família brotense, que tinha como au­xiliar, o Sr. Oswaldo Nogueira. Quando menino, trabalhava no Banco Vale do Paraíba e fre­quentemente ia à Coletoria comprar estampilhas, que eram coladas nas Notas Pro­missórias, onde aqueles que contraiam um empréstimo junto ao Banco, tinham que apor suas assinaturas por sobre os selos. O Sr. Celso ti­nha alguns passatempos, como jogar xadrez com o Sr. Oswaldo, ou fazer cigarros de palha. Lembro-me quando eu chegava e via aquele homem picando uma porção enorme de fumo, depois mistura­va tudo em cima da mesa, para em se­guida ir enrolando na palha, formando um grande pacote de cigarros, que colocava em uma lata como se fossem pa­litos de dente. Como a sala onde trabalhava ficava no final de uma grande escada, quan­do alguém tocava a campai­nha ele puxava um corda, que destracava o portão. Na saída, pedia para que a pessoa o fe­chasse novamente.

 

Da coletoria Estadual, lem­bro-me que era instalada no pré­dio onde hoje funciona o Banespa e tinha os seguinte quadro de funcionários: Mario Balestrero, Coletor Estadual e seus colegas, Wolney Rolemberg; Antonio de Albuquerque Pinheiro Neto; Virgínia de Souza Barros (Bizica),residente em Torrinha de onde vinha todos os dias; Odelar Vanzo, Evanir Navarro e Dario Pompeo de Toledo. A Coletoria Estadual acabou virando Posto Fiscal, que acabou sendo fecha­do, tendo os contribuintes de agora, que se dirigir à cidade de Jaú para resolver suas ne­cessidades junto ao fisco. Si­nais dos tempos, em que ao in­vés de facilitar, complicam tudo.

 

 

 

Crônica 19 - Nossos saudosos amigos taxistas

 

 

 

Quero, primeiramente, agradecer a todas as pessoas que têm elogiado o meu trabalho relativo a fatos e pessoas que fizeram a História da nossa cidade e que relato nas colunas deste conceituado jornal. Em especial a um brotense residente em Curitiba-PR, que quando mencionei o nome do seu pai, antigo morador de Brotas, ficou emocionado por eu ter lembrado de sua família. Aproveitou para elogiar também o Tribuna Comunitária, do qual é leitor assíduo.

 

No entanto, deixo sempre muito claro que não sou escritor nem jornalista, longe disso. Apenas menciono fatos ocorridos em nossa cidade e que marcaram minha infância e juventude. Não pesquiso nada, apenas vou me lembrando e escrevendo. Meu amigo Gelder costuma me dizer que tenho uma memória privilegiada, por me lembrar de fatos e pessoas há tanto tempo esquecidas por grande parte das pessoas.

Hoje vou contar um pouco dos nossos taxistas ou choferes de praça da década de 50/60 e que deixaram muitas saudades. Eram eles de famílias tradicionais de nossa terra, sempre muito educados, pontuais nos horários e de muita responsabilidade.

Quem de nós, amigos da mesma época, não se lembra do saudoso Miguel Osti? E do Tete Tardivo, Emílio Bolano, Renato Silveira, Santin Bonganhi, Totó Figueiredo, Pongeluppi, Dante Felipe? E, mais recentemente, do grupo dos irmãos Urbano, formado pelo Sebastião, Jurandir, Luiz e Aparecido? E do Alcides e Luiz Gheller Filho, Waldomiro Galhardo, Sebastião Lourenço, brutalmente assassinado por dois irmãos que lhe roubaram o equivalente a R$ 30,00? E do Waldomiro e Gentil Mariotti, João Mendonça, Egídio Piedade, Antonio Giangrossi, Sergio Rodrigues (Viola), Benedito de Souza Palma, Walter Pioli, Cleitom Trombini, Ezio Gonçalves e tantos outros de tão grata lembrança?

Naquele tempo não existia asfalto nem mesmo na rodovia Brotas/Jau, muito menos nas estradas que davam acesso às fazendas e sítios. Muitas vezes nossos amigos taxistas arriscavam a própria vida, enfrentando fortes temporais para levar médico ou parteira na zona rural para atender a algum chamado urgente, sempre muito bem dispostos e bem humorados.

Existem, inclusive, casos que não sabemos se são verdadeiros ou apenas folclóricos, como o do Miguel Osti que seguia pela estrada da Rasteira com seu Fordinho 29, quando um senhor passou ao seu lado. Seu Miguel, muito gentil lhe disse: - Ei amigo, quer uma carona? No que o outro lhe respondeu educadamente: Não obrigado seu Miguel, mas estou com pressa...

Naquele tempo poucas pessoas possuíam carro de luxo, somente fazendeiros, industriais ou grandes empresários. Do mais era Fordinho mesmo, diferente dos dias de hoje em que pessoas por mais humilde que sejam, têm seu carro na garagem. Naquele tempo as coisas eram mais difíceis.

Os motoristas de praça eram muito requisitados pelos viajantes que chegavam pelos trens da Cia. Paulista de Estrada de Ferro e iam visitar seus clientes no comércio de Brotas e em alguns armazéns localizados em Bairros distantes, como Campo Redondo, Usina Varjão, etc., e depois iam direto para a estação, para tomar outro trem com destino a outras cidades.

Falando em estação de trem, naquele tempo nossa estação era muito freqüentada, principalmente pela juventude que pra lá ia a fim de paquerar as garotas que viajavam às janelas. O local era muito limpo, agradável e muito bem cuidado. Hoje, infelizmente, não existem mais trens de passageiros. Tudo mudou. É o progresso.

Bons tempos aqueles que infelizmente não voltam mais.

 

 

 

Crônica 20 - Rua da Polenta




Uma das mais conhecidas ruas e que me traz as mais sau­dosas recordações da minha adolescência é a Rua da Polenta. Esse é um cognome, pelo fato de ali terem residido em épocas remotas, muitos imigrantes italianos e descen­dentes. Essa rua foi denomina­da Rua Floriano Peixoto, e re­centemente, recebeu o nome de Elyseu Lourenção em homena­gem ao ilustre brotense. Posso citar alguns dos residentes na referida rua, como: Luiz Nazzaro, Régulo Leonel Scatolim, Fernando Guerreiro Primo, Nel­son Amara Barros - grande seresteiro, Maria dos Santos Gallo, Amália e e Olinda Destéfani, Santa Zaninotto, Ramiro Guindaste, Arthur Signori, Tenente Cordeiro, Egídio Piedade, Maria de Jesus - carinhosamente chamda de Mariquinha Saia, Paulo Tardivo, Manoel da Cruz Gallo, André Gallo, Luiz Bicaleto (Gino) - funcioná­rio do Posto de Saúde, Idreo e Antonio Bicaleto, João, José e Beniamino (Benjamin) Zarlenga, Ema Bicaleto - impor­tante personagem da nossa História, por ter sido Parteira por muitos anos, vindo a ser reconhecida e emprestar seu nome para batizar uma das ruas da cidade.

 

Pegado à casa de Dna. Ema havia enorme bu­raco, de grande profundidade e largura, conhecido como o buraco da Dna. Ema. Mais tar­de, o Sr. Pedro Toretti veio a residir nessa mesma casa, o mesmo acontecendo com Horácio Gheller, João Trombini, Alexandre Fontanetti, Dna. Genoveva Marin, Francis­co e José Marin (Nim), Nicola Nave Filho, Américo Tessutti, João e Amábile Gheller e Joa­quim Manoel Ribeiro, este últi­mo, descendente de Dna. Francisca Ribeiro dos Reis, fundadora da cidade de Bro­tas, segundo Benedito Montezuma, a quem sempre respeitei muito pela sua cultu­ra, sabedoria e conhecimento sobre nossa cidade.

 

Esta é uma pequena parte da História dessa querida rua que, para mim, é uma das mais importantes de nossa ci­dade, por tudo o que ela repre­senta para mim, principalmen­te porque era nela que se lo­calizava um campinho de fute­bol, onde passei momentos de grande alegria. O "Campinho" fica no Largo da Cadeia, como era conhecido onde, futuramente, seria construído o prédio do Fórum, denominado Julio Delboux Gui­marães. E o Largo da Cadeia, passou a se denominar Praça 9 de Julho.

 

Ao escrever esta matéria, con­fesso que fiquei emocionado lembrando de tantos amigos que já não se encontram entre nós, como é o caso do meu colega de banco, José Jesus de Almeida, conhecido por todos como Zicão, falecido tão prematuramente. Mas, se esses amigos já não estão presentes, a memória de­les permanece tão viva quanto na época em que viviam.

 

 

 

Crônica 21 - Velhos Carnavais

 

 

 

Bons e saudosos tempos aqueles em que os carnavais era bem diferentes dos de hoje. A folia de Momo era uma verdadeira festa entre famílias, que participavam dos chamados bailes, sempre com muito respeito e alegria.

 

No grêmio Literário e Recreativo Brotense, hoje Centro Cultural, a confraternização entre famílias era o ponto alto das festividades. As pessoas saiam dançando em grupos, com lança-perfume e serpentina e muitas vezes paravam em frente das mesas onde estavam os vários amigos e ali começava

uma verdadeira batalha de confete.

 

No salão, completamente lotado, jovens e casais com muito pique e fôlego não paravam um só instante, cantando Mamãe Eu Quero Mamar, Aurora, Jardineira, Pirata da Perna de Pau e outras saudosas marchinhas da época, sendo essas as músicas mais interpretadas.

 

Lembro-me muito bem de uma família enorme que todo ano visitava Brotas na época do Carnaval, os Marolas. Lembro-­me de que eram hóspedes do saudoso Augusto Osti, no entanto, não sei onde moravam. O que sei, com absoluta certeza, é que adoravam nossa querida terrinha e não perdiam um Carnaval.

 

Com o decorrer do tempo, tudo mudou. As marchinhas e sambinhas de Carnaval com músicas e letras fáceis de serem cantadas, aos poucos foram dando lugar aos ritmos modernos como Olodum, Axé e outros ritmos oriundos principalmente da Bahia, por estarem constantemente na mídia, sem no entanto, ter qualquer ligação com o nosso carnaval tradicional.

 

Perfume que era um luxo na época acabou sendo proibido, pois passou a ser cheirado e consumido com a bebida alcoólica, causando danos irreparáveis à saúde.

 

Como vemos, a maior diferença existente entre os carnavais de outrora e os de hoje, são os exageros e a falta de respeito. Podemos dizer que a alegria contagiante foi substituída pela euforia inconseqüente.

 

Agora só nos resta saudades...

 

 

 

Crônica 22 - Cine São José e seus funcionários




Quem não se lembra com saudades do Cine São José "O Palácio Encantado da Cidade", como era o seu slogan? Quem não tem, ainda, nos ouvidos o som maravilhoso das músicas que antecediam ao grande espetáculo e as da saída, com a aglomeração de gente após a sessão? Quem não tem grandes recordações dos "Seriados" que passavam aos Sábados e que tanta alegria nos dava?

 

Os da minha época, garanto que se lembram de tudo isso e com muita saudade... No entanto, não são todos que se lembram dos funcionários e das personalidades que ali trabalhavam fixos ou eventualmente.

Lembro-me de alguns nomes, como: Antonio Rafael Lenci (Nim), Oswaldo Adorno (Pico), Pachola, Titimeu, Tatico, entre outros...

À noite, trabalhavám como operadores do cinema, o Eneas, Didi Carteiro, Laercio Braga e Evanir Navarro.

 

O vendedor de ingressos era o Tareco e o Thiago. 0 segurança tinha o apelido de Jipão, crioulo forte, com seu farolete a tira-colo sempre vigiando os casais de namorados e chamando a atenção dos mais ousados que, por ventura, estivessem com a mão naquilo ou com aquilo na mão, ou apalpando onde não deviam. Isso era terminantemente proibido, caso houvesse reincidência, o casal era convidado a deixar o recinto.

 

Havia também o Comissário de Menores e Oficial de Justiça aposentado, que exercia a função de Gerente do Cinema, de propriedade do Dr. José Perricelli. Era um cidadão que deixou muita saudade entre os que o conheceu, Senhor Irineu Dalla Déa.

 

Quem não se lembra daquele cidadão bonachão, descendo a Avenida Dois, hoje Rodolpho Guimarães, passos largos, corpo cambaleante como um pêndulo de relógio, pasta debaixo do braço e andando sempre ao meio fio da rua, evitava andar na calçada. O cigarro no canto da boca era a sua marca registrada. Não tragava, mas acendia um na bituca do outro, o que fazia com que o cigarro aceso e com a cinza comprida quase caindo, fizesse parte do seu visual.

Irineu era uma pessoa muito estimada na sociedade brotense, tinha verdadeira paixão pelo que fazia, pois cuidava do cinema como se fosse sua casa.

 

Muito atencioso, principalmente com a criançada que o adoravam. Muitas delas trabalhavam com ele fazendo limpeza, colocando cartazes aunciando os filmes, ou apenas ficavam sentadas em frente ao cinema, batendo papo.

 

Quando o Seu Irineu se dirigia a alguém conhecido ou com os amigos mais íntimos, dizia:

Ei, pataquina, vem aqui. Essa era a frase que mais usava.

Adorava futebol e torcedor aficcionado do Palmeiras. Segundo consta, era proprietário de um bar no centro da cidade, ao lado da Nossa Caixa Nosso Banco, onde hoje é a Relótica. Conta a história, que em certa ocasião o Seu Irineu estava ouvindo pelo rádio um jogo do Palmeiras, quando adentrou o seu bar um cidadão que pediu para que ele fizesse um sanduíche de mortadela com queijo. Com cara de poucos amigos, abaixou o volume do rádio e atendeu ao pedido do freguês. Quando o cidadão saiu, Seu Irineu disse: - PQP, tinha que ser de mortadela e queijo! Não poderia ser só de mortadela ou só de queijo?

 

Eu, como frequentador assíduo do Cine São José, uma noite estava lá conversando com o Seu Irineu, quando passou um grupo de jovens que caminhavam em direção a um circo que acabara de se instalar na cidade. Ao ver as pessoas passarem, Seu Irineu disse de pronto: Veja esses idiotas, deixando de assistir a um grande filme, com indicação para o Oscar, para ver palhaços subirem no picadeiro...

 

Este era o Seu Irineu Dalla Déa, que ficou em nossa memórria. Parece que ainda ouço "Ei, pataquina, vem aqui".

Que Deus o tenha junto Dele.

 

 

 

Crônica 23 - Carmo Nicolella

 

 

 

Na esquina da Av. Dois com a Rua da Polenta, hoje Av. Rodolpho Guimarães com a Elyseu Lourenção, onde está instalada a ótica "A Oculista", era um bar e padaria denominada "Excelsior”, de propriedade do saudoso Luiz Nazzaro e sua esposa Dna. Hilda Osti Nazzaro, antigos moradores de nossa cidade.

 

Pegado ao bar, existia um campo de bocha, freqüentado por muitos brotenses amantes desse esporte oriundo da Itália. Dentre eles haviam os senhores João Zarlenga, Régulo Scatolin, Etori Pinotti, José Bicaletto (Bepe), José Massoni, Brás Mensitiéri, Augusto Inocêncio de Almeida, Luiz Gheller (meu avô), entre tantos outros.

 

Seu Luiz Nazzaro-corintiano fanático - tinha o costume de escrever no balcão de vidro, onde ficavam os pães, o nome do adversário do seu time e quando o Corinthians fazia um gol, corria e alterava o placar. E quando o gol era do ídolo Baltazar - o Cabecinha de Ouro - aí a vibração era ainda maior.

 

Eu, quando criança, na saída da Escola Dna. Francisca, passava pelo bar e comprava um picolé de groselha. Que delícia! Aliás, era só o que se podia comprar, já que refrigerante, só em épocas especiais.

Também atendia ao balcão, a sra. Neide, que mais tarde viria a ser a esposa do Sr. Enéas Gabriel dos Santos, avós de Jefferson Ricardo, repórter da Rádio Brotense.

 

Mas, o que mais me chamava a atenção, era um velhinho muito simpático, de cabelos brancos como paina e assíduo freqüentador desse bar. Sempre de temo preto e chapéu coco, da mesma cor do terno e seu inseparável charuto. Era gordinho e possuía baixa estatura e um coração de ouro e muito educado e atencioso com todos, principalmente com as crianças. Ficava "esparramado" na cadeira de ferro colocada na calçada, defronte ao bar, onde descansava por horas a fio. Era viciado em bilhetes de loteria e gostava de um bom copo de vinho.

 

Quando alguém lhe perguntava se alguma vez tinha sido sorteado, ele, bem humorado, dizia: Qual quê, belo. Nem mesmo quando tem sorteio de alguma prenda aqui na cidade, eu ganho. Na hora dos sorteios eu fico só escutando:

Dr. Américo Piva, "premiato!" Dr. Péricles de Albuquerque Pinheiro, "premiato!" Dr. Pedro Pinto, "premiato!" CARMO NICOLELLA,”bianco”.

 

Essa é uma pequena história daquela pessoa conhecidíssima à época de eu criança e que tive o privilégio de conhecer e de ficar encantado com sua forma de ser e de pronunciar um português com forte sotaque italiano. Quando se aproximava um amigo ou conhecido, ele dizia: Oh belo, paga um "vino" pro nóno.

 

Tenho certeza de que hoje o bom velhinho está descansando na mansão dos justos e, junto aos anjos, tomando a taça de "vino" dos puros.

 

 

 

ENTREVISTA DO JORNAL  TRIBUNA COMUNITÁRIA  COM SEU COLABORADOR  ZINHO GHELLER.

 

 

 

O jornal Tribuna Comuni­tária fez uma entrevista com o colaborador José Geraldo Gheller (Zinho Gheller), sobre sua coluna "Reminiscência" que tanto sucesso fez junto aos leitores da época.

TC - Zinho Gheller, temos notado que sua coluna foi muito bem aceita pelos leito­res. Soubemos, inclusive, que você tem recebido mui­tos elogios, principalmente dos mais velhos que exerci­am alguma atividade na dé­cada de 50, isto é verdade?

Zinho - Verdade! De fato tenho recebido muitos elogi­os, o que me fez notar que o jornal Tribuna Comunitária é muito lido, não só em Brotas, mas em outras cidades tam­bém, já que recebi telefone­mas de amigos meus de ou­tras cidades da região.

TC - O que levou você a publicar fatos dos anos 50, com citação das pessoas In­clusive?.

Zinho - Tudo começou como brincadeira. Fiquei me lembrando da minha infância, dos amigos, dos comercian­tes da época, dos locais onde trabalhei, inclusive com mui­tos deles. Durante toda minha vida tive sempre contato com o público, com quem tenho muito bom relacionamento até hoje.

TC - Você tem muito boa memória. Tudo o que escre­veu foi resultado de pesquisa ou foi tudo de memória, mes­mo?

Zinho - É verdade. Não fiz nenhuma pesquisa, todas as citações que fiz foi tirada da memória.

TC - Zinho, já que você se lembra tão bem daquela épo­ca, me responda: - Qual a diferênça daquele tempo e de hoje?

Zinho - A diferênça é muito grande. Muitas mudanças aconteceram. Nossa cidade de hoje não é mais aquela daqueis tempos. Posso dizer que de cada 10 pessoas que encontrávamos naquela épo­ca, conhecia 9. Hoje é outra

época, outra geração, por isso já não conhecemos mais as pessoas como naquela épo­ca.

TC - Zinho, o que você tem a dizer sobre a violência em nossa cidade?

Zinho - Como disse, nos­sa cidade não é mais aquela, quando nossos pais, à noite, deixavam a porta da frente da casa apenas encostada com uma cadeira, para que o últi­mo a entrar trancasse. A cidade cresceu muito e com isso a vioência também. Hoje já te­mos que muito cuidado em transitar pela ruas, principal­mente em horários onde a vi­gilância é menor, principal­mente tarde da noite. A falta de empregos, a impunidade, a falta de estrutura familiar, isto tudo contribuiu para o aumen­to da violência, aembora a gente sabe que isto acontece em todos os lugares.

TC - Tem um ditado antigo que diz: "Pessoa de boa me­mória é pessoa sofrida", você concorda com isso, já quepossui uma memória invejá­vel?

Zinho - Absolutamente que não. Eu só sofro quando o Corinthias ganha, principal­mente do Palmeiras. Tive uma infância tranquila, quando meus pais, embora pobres, me deram boa educação e me ensinaram o bom caminho. Construí uma família e por isso, só tenho que agradecer a Deus.

TC - Você se considera um homem rico?

Zinho - Rico não, riquíssimo. Como acabei de dizer, tenho muitos amigos, uma família maravilhosa, ganho o suficien­te para viver, tenho boa saúde e Deus como ídolo. Aproveitando a oportunidade, gostaria de agradecer publicamente o es­paço cedido por este jornal para eu pudesse publicar minha co­luna. Aproveito, ainda, para cumprimentar o seu diretor, Sr. Gelder Batista, pela visão que anteviu o sucesso e de pronto concordou na cessão do espa­ço utilizado por mim.